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Divórcio Consensual: Como Funciona e Documentos Necessários
Saiba como funciona o divórcio consensual, quais documentos são necessários, prazos e diferenças entre cartório e judicial. Guia completo com base no CPC.
O divórcio consensual é a forma mais rápida e menos custosa de encerrar um casamento no Brasil. Ele ocorre quando ambos os cônjuges concordam com o fim do matrimônio e com todas as condições decorrentes, como partilha de bens, guarda dos filhos e pensão alimentícia. Dependendo da situação, pode ser feito em cartório, sem precisar entrar com processo judicial.
O tema é regulado principalmente pelo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), que nos arts. 731 e 733 define os requisitos, os documentos exigidos e as duas vias possíveis para formalizar o divórcio consensual: a via judicial e a via extrajudicial. A Emenda Constitucional 66/2010 também é fundamental, pois eliminou o prazo mínimo de separação antes do divórcio, permitindo que qualquer casal peça o divórcio a qualquer momento.
Neste artigo você vai entender como funciona cada modalidade, quais documentos reunir, em quanto tempo o processo costuma ser concluído e o que fazer quando há filhos menores envolvidos. Sem juridiquês desnecessário.
Divórcio Consensual Judicial x Extrajudicial: qual caminho seguir?
A primeira decisão que você e seu cônjuge precisam tomar é: cartório ou juiz? A resposta depende de um critério objetivo: a existência de filhos menores ou incapazes.
Via Extrajudicial (Cartório)
Se o casal não tem filhos menores de 18 anos nem filhos incapazes, o divórcio pode ser feito por escritura pública em qualquer Tabelionato de Notas do Brasil. O Art. 733 do CPC é claro: a escritura não depende de homologação judicial e já vale como título para registro em cartório de imóveis, transferência de veículos e movimentação de contas bancárias.
Um detalhe que muita gente ignora: mesmo no cartório, a presença de um advogado ou defensor público é obrigatória. O tabelião não pode lavrar a escritura sem que os dois cônjuges estejam assistidos. O advogado pode ser o mesmo para os dois, desde que não haja conflito de interesses.
Exemplo prático: João e Maria, casados há 8 anos, sem filhos, decidiram se separar. Contrataram um advogado, reuniram os documentos e compareceram ao cartório. Em uma única visita, a escritura foi lavrada. O processo durou menos de duas semanas no total.
Via Judicial
Quando há filhos menores ou incapazes, o divórcio obrigatoriamente passa pelo juiz. Isso não significa briga: o processo ainda é consensual, mas o magistrado precisa homologar o acordo para garantir a proteção dos interesses das crianças. O Art. 731 do CPC estabelece que a petição deve ser assinada por ambos os cônjuges e conter informações sobre disposição dos bens, guarda, visitas e alimentos.
Critério Extrajudicial (Cartório) Judicial Filhos menores/incapazes Não permitido Obrigatório Prazo médio 1 a 3 semanas 1 a 6 meses Custo Emolumentos do cartório Custas judiciais + honorários Advogado Obrigatório (pode ser único)Obrigatório (pode ser único)Homologação judicial Não necessária Necessária
Entendida a diferença entre as vias, o próximo passo é saber exatamente quais documentos você precisa reunir antes de dar entrada no processo.
Documentos Necessários para o Divórcio Consensual
A falta de um documento é a principal causa de atraso nos divórcios. Organize tudo com antecedência para não perder tempo nem dinheiro.
Documentos Pessoais dos Cônjuges
RG e CPF de ambos (originais e cópias)
Certidão de casamento atualizada (emitida nos últimos 90 dias, em geral)
Comprovante de residência atual de cada cônjuge
Carteira de trabalho ou documento que comprove profissão e renda (exigido em alguns casos para cálculo de alimentos)
Documentos dos Bens a Partilhar
Imóveis: matrícula atualizada do cartório de registro de imóveis (emitida nos últimos 30 dias)
Veículos: CRLV (documento do carro) e consulta de débitos
Contas bancárias e investimentos: extratos recentes ou declaração de saldo
Empresas: contrato social e última alteração registrada
Declaração de Imposto de Renda do último exercício (ajuda a mapear o patrimônio)
Documentos Adicionais Quando Há Filhos
Certidão de nascimento de cada filho
Documentação escolar e médica (pode ser solicitada pelo juiz para avaliar guarda)
Acordo escrito sobre guarda, visitas e valor da pensão alimentícia
Dica prática: mesmo no divórcio extrajudicial, o tabelião pode recusar a lavratura se perceber que o acordo prejudica alguma das partes ou que os documentos estão incompletos. Chegue preparado.
Com os documentos em mãos, é hora de entender o que deve constar no acordo e como a partilha de bens funciona na prática.
O Que Deve Constar no Acordo de Divórcio
O acordo é o coração do divórcio consensual. Ele precisa ser detalhado o suficiente para evitar conflitos futuros. O Art. 731 do CPC lista os pontos obrigatórios que devem constar na petição ou escritura.
Partilha de Bens
O regime de bens do casamento define o que será partilhado. No regime mais comum, a comunhão parcial de bens, dividem-se os bens adquiridos durante o casamento. Bens anteriores ao casamento ou recebidos por herança, em regra, não entram na partilha.
O acordo deve identificar cada bem, seu valor e a destinação: quem fica com o quê, se haverá venda e divisão do valor, ou se um cônjuge compensa o outro em dinheiro.
Guarda e Alimentos (Quando Há Filhos)
Mesmo no divórcio consensual judicial, o juiz analisa se o acordo sobre guarda e alimentos atende ao melhor interesse da criança. Pontos que o acordo deve prever:
Tipo de guarda: compartilhada (regra geral) ou unilateral
Residência principal da criança
Calendário de visitas detalhado (fins de semana, feriados, férias)
Valor da pensão alimentícia e forma de reajuste anual
Responsabilidade por despesas extraordinárias (saúde, escola, atividades)
Exemplo prático: Ana e Pedro têm uma filha de 7 anos. Definiram guarda compartilhada, com residência principal na casa da mãe. Pedro paga pensão de 30% do salário líquido e divide as despesas escolares. O juiz homologou sem alterações porque o acordo era claro e equilibrado.
Pensão entre Cônjuges
Os alimentos entre ex-cônjuges não são automáticos. Devem ser pedidos expressamente no acordo, com prazo definido ou por tempo indeterminado, dependendo da situação financeira de cada um. Se nenhum dos dois pede, o juiz não impõe.
Com o acordo estruturado, você já pode calcular quanto tempo o processo vai levar e o que esperar em cada etapa.
Prazos, Custos e o Passo a Passo do Processo
Conhecer o fluxo do processo evita ansiedade e surpresas. Veja como cada via se desenvolve na prática.
Passo a Passo do Divórcio Extrajudicial
Contratação do advogado e coleta dos documentos
Elaboração da minuta da escritura pelo advogado
Agendamento no Tabelionato de Notas (qualquer cartório do Brasil)
Comparecimento de ambos os cônjuges e do advogado para leitura e assinatura
Lavratura da escritura pelo tabelião
Averbação do divórcio na certidão de casamento (feita pelo próprio cartório ou pelo casal)
Passo a Passo do Divórcio Judicial Consensual
Contratação do advogado e elaboração do acordo
Protocolo da petição inicial assinada por ambos
Distribuição do processo e sorteio do juiz
Audiência de ratificação (em muitos casos, dispensada quando o acordo é claro)
Sentença homologatória do juiz
Averbação na certidão de casamento
Etapa Extrajudicial Judicial Preparação dos documentos3 a 10 dias3 a 10 dias Elaboração do acordo1 a 5 dias1 a 5 dias Espera no cartório/fórum1 a 7 dias15 dias a 5 meses Averbação Imediata ou até 5 dias5 a 15 dias após sentença Total estimado1 a 3 semanas1 a 6 meses
Quanto Custa?
Os custos variam por estado e pela complexidade do patrimônio. No geral:
Cartório: emolumentos calculados sobre o valor dos bens partilhados, geralmente entre R$ 800 e R$ 3.000
Honorários do advogado: de R$ 1.500 a R$ 8.000, dependendo da complexidade
Via judicial: custas processuais adicionais (variam por comarca)
Quem não tem condições financeiras pode pedir gratuidade de justiça e ser atendido pela Defensoria Pública
Agora que você tem o panorama completo, veja os principais pontos que não podem sair da sua lista antes de agir.
Principais Pontos
Verifique se há filhos menores antes de qualquer coisa: isso define se o divórcio vai para o cartório ou para o juiz, sem exceção.
Reúna a certidão de casamento atualizada: documentos vencidos são a causa mais comum de atraso no processo.
Mapeie todos os bens antes de sentar com o advogado: inclua contas bancárias, investimentos, veículos e imóveis, mesmo os de pequeno valor.
Defina o valor da pensão com base em percentual do salário líquido: isso facilita o reajuste automático e evita discussões futuras.
Guarda compartilhada é a regra legal: se você quiser guarda unilateral, precisa justificar no acordo por que ela atende melhor ao interesse da criança.
O advogado pode ser único para os dois cônjuges no divórcio extrajudicial, o que reduz custo, desde que não haja conflito de interesses.
A escritura do cartório já é título executivo: você não precisa de mais nenhuma ação judicial para transferir bens ou registrar o divórcio.
Averbação na certidão de casamento é obrigatória: sem ela, o divórcio não consta nos registros públicos e pode gerar problemas em casamentos futuros ou compras de imóveis.
Seu Próximo Passo
O divórcio consensual existe justamente para que o encerramento de um casamento seja o menos desgastante possível. Quando há acordo entre as partes, a lei brasileira oferece um caminho rápido, barato e sem necessidade de disputas no tribunal.
O maior erro que as pessoas cometem é adiar o processo por não saber por onde começar. Com os documentos certos e um advogado que conheça bem a legislação local, o divórcio extrajudicial pode ser concluído em menos de um mês. Mesmo o judicial, quando o acordo é bem redigido, raramente ultrapassa três meses.
Se você está em Belo Horizonte ou região e quer dar esse passo com segurança, encontre um advogado parceiro especializado em direito de família que pode orientar você desde a organização dos documentos até a averbação final do divórcio. Dar o primeiro passo com a orientação certa faz toda a diferença.
Perguntas Frequentes
Qual artigo de lei regula o divórcio consensual no Brasil?
O divórcio consensual é regulado principalmente pelos Arts. 731 e 733 do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015). O Art. 731 define o conteúdo obrigatório do acordo; o Art. 733 autoriza a via extrajudicial pelo cartório quando não há filhos menores ou incapazes.
É possível fazer divórcio consensual sem advogado?
Não. Tanto na via judicial quanto na extrajudicial, a presença de advogado ou defensor público é obrigatória por lei. No cartório, o tabelião não pode lavrar a escritura sem que os dois cônjuges estejam devidamente assistidos. A boa notícia é que um único advogado pode representar os dois, reduzindo custos.
Quanto tempo leva o divórcio consensual no cartório?
O divórcio extrajudicial por escritura pública costuma ser concluído em 1 a 3 semanas, contando da reunião dos documentos até a lavratura. O principal fator de atraso é a falta de documentos completos, especialmente as matrículas de imóveis e a certidão de casamento atualizada.
O que acontece com os filhos menores no divórcio consensual?
Quando há filhos menores, o divórcio deve ser judicial e o juiz analisa se o acordo sobre guarda e alimentos protege o interesse das crianças. A guarda compartilhada é a regra legal no Brasil. O acordo precisa definir residência principal, calendário de visitas e valor da pensão alimentícia. Se o juiz entender que o acordo prejudica os filhos, pode solicitar ajustes antes de homologar.


